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Ensaios para o Centro de Memória MAIS: artistas LGBTQIAPN+ no interior de SP

23 e 24
Outubro
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Memória viva

O Seminário Ensaios para o Centro de Memória MAIS: artistas LGBTQIAPN+ no interior de São Paulo nasceu das inquietações e das urgências do projeto "MAIS (Memória, Arte, Identidade e Sustentabilidade) - Centro Virtual de Memória de Artistas LGBTQIAPN+ no Interior do Estado de SP" (PROAC Nº15/2024), que visa a (re)conhecer e celebrar a memória (história, estórias, trajetórias) da comunidade artística LGBTQIAPN+ nessa região do Brasil.

As pesquisas que gestaram o MAIS, iniciadas há três anos, constataram a ausência de mapeamento da memória da comunidade artística LGBTQIAPN+, lacuna que, verificada mesmo nas instituições dos grandes centros urbanos, é ainda mais problemática e profunda no contexto do interior dos estados, onde o desmonte e a opressão em relação à comunidade são mais intensos.

A proposta do Seminário é se constituir um amplo e diverso espaço de conversas e interações entre o público e profissionais de diferentes formações, voltados, direta ou indiretamente, a questões referentes à arte e/ou à comunidade LGBTQIAPN+.
Tendo por inspiração expressões como limite, fronteira, diálogo, resgate, reparação, identidade, provocação, plasticidade, território, arte, existência, interior, (des)encontro, respiro - e tudo o que elas podem ecoar -, vamos, durante dois dias, coexistir e confluir dentro do rico ecossistema (ainda) isolado que é a comunidade artística LGBTQIAPN+ no interior de São Paulo, pulsando, juntos, dentro da grande floresta que é o MAIS em seu processo histórico e, sobretudo, artístico.

Para além de respostas a todas essas inquietações, desejamos, ao fim desse evento, despertar questionamentos em torno de uma lacuna identitária e territorial que afeta não somente os fazeres artísticos das pessoas LGBTQIAPN+, mas, antes de tudo, seu direito de existir enquanto corpos e mentes e espíritos que fazem arte.

Queremos o barulho que vai despertar as vozes silenciadas, os corpos paralisados e as vivências marginalizadas. Queremos as músicas cantadas por essas vozes, dançadas por esses corpos e performadas por essas vivências. Queremos sentir a chuva de talentos brotando arte DE E EM um território que, apesar de cultivável e fértil, tem se mostrado árido e infertilizado para a comunidade artística LGBTQIAPN+. A nossa urgência se traduz na necessidade e na importância de trazer à luz não somente o acervo de obras desses artistas, mas esses próprios artistas enquanto acervo vivo da memória artística do Brasil.

Atividades

1° DIA | QUINTA
23/10

MANHÃ
9h — 12h15
EIXO 1:
RESGATE/REPARAÇÃO
Quais os limites, as fronteiras e os diálogos entre resgate e reparação?
Resgatar ou reparar o quê? Histórias? Memórias? Vidas? Sensibilidades? Expressões artísticas? Corpos? Afetos? O tempo roubado pelo silenciamento forçado? Quem resgata ou repara quem? Essas inquietações nos levaram a uma reflexão profunda sobre a apropriação dos conceitos “resgate” e “reparação” dentro dos campos das artes, da museologia, da literatura e da história, e suas abordagens fracassadas em relação às tentativas de combater o isolamento imposto à comunidade LGBTQIAPN+, especialmente no que diz respeito às pessoas artistas desse grupo (que constituem o foco do Projeto MAIS). Refletir sobre as tensões e contradições – e, por que não, os possíveis diálogos? - entre esses conceitos é uma provocação consciente, crítica e poética. É possível voltar a ser quem se era antes da dor? Como podemos entender o resgate e a reparação não como fins em si, mas como processos contínuos, situados no campo das disputas simbólicas e éticas, especialmente em inventários retalhados por preconceitos e discriminações?
9h — 9h15
Abertura oficial

9h15 — 10h45
Espaço de conversa 1

David Ribeiro
Marielle Costa Gonçalves
Mediação: Leonardo Vieira


10h50 — 12h15
Espaço de conversa 2

Jaqueline Ferreira
Nágila Gonçalves Lima
Mediação: Margarita Kremer

TARDE
14h — 17h10
EIXO 2:
IDENTIDADE
Onde tenho o direito de existir?

Identidade não é um conceito fixo nem supõe uma moldura rígida; é, antes de tudo, o resultado da negociação entre nossos desejos, territorialidades e possibilidades de existência. Identidade é, sobretudo, movimento, (re)invenção e performance. Em muitos casos, ser e existir como pessoa LGBTQIAPN+ longe dos grandes centros urbanos exige a habilidade de se construir e sobreviver em um território hostil. Para muitos, faz-se necessário coreografar a própria existência e fragmentar-se em vidas paralelas, nas quais o afeto se manifesta em códigos e condutas forjadas pela ideia de “moral e bons costumes”, e a arte se torna estratégia — e, por vezes, a única voz — de sobrevivência. Assim, neste eixo de discussão, propomos refletir a partir das seguintes questões: quais as cartografias (im)possíveis de uma pessoa LGBTQIAPN+ no interior de São Paulo? Onde temos o direito de existir? Como nossos corpos desenham esses espaços e se desenham neles?
14h — 15h30
Espaço de conversa 3

Elielton RIbeiro
Marcia Araújo Dailyn
Mediação: Graziela Zanin Kronka


15h40 — 17h10
Espaço de conversa 4

AURE
Millena Gonçalves

2° DIA | SEXTA
24/10

MANHÃ
9h — 12h10
EIXO 3:
PROVOCAÇÃO
Quando a gente se (des)encontra?
Provocação é a arte de incomodar com beleza. É um gesto de coragem que, para as pessoas LGBTQIA+ em especial, se traduz na própria existência. Rir sem controle, dançar com raiva, amar com escândalo, debochar das normas. Nesses casos, subverter não é escolha, é respiração. A provocação é também uma ferramenta de liberdade: gritar o que é apenas sussurrado, cruzar territórios interditados e desafiar tudo aquilo que, historicamente, tenta nos exterminar. Provocando, não buscamos o consenso, mas a faísca. Desejamos conhecer e refletir sobre as experiências daqueles que ousaram sonhar e criar onde antes lhes disseram que só havia espaço para o medo e a vergonha. Como podemos transformar a raiva em um chamado para a ação? Pode o passado (e a arte) servir como combustível para a construção de nossas utopias? Se queremos, de fato, um mundo diverso e justo para já, quando, então, nos (des)encontramos?
9h — 10h30
Espaço de conversa 5

Fepe Camargo
Pauleteh Araújo
Mediação: Wend Oianiyi


10h40 — 12h10
Espaço de conversa 6

Natalia Rosa Epaminondas - ARQUIVO LÉSBICO BRASILEIRO
Tony W. Boita - REVISTA MEMORIAS LGBTQIAPN+
Mediação: Ana Cecília Pereira

TARDE
14h — 17h20
EIXO 4:
PLASTICIDADE
“Respirar os pés, descalçar os corações”
Esse texto que intitula o eixo “Plasticidade” foi extraído de um bordado e evoca a necessidade da pausa, do cuidado e do respiro. O descanso sentido como parte essencial da formação de conceitos e da criação artística. É o presente se conectando à ancestralidade ao mesmo tempo que projeta um futuro possível e simbólico, onde os processos criativos, enquanto sensações, fluem e propõem perspectivas muito além da razão ou da tentativa de encontrar palavras. A produção artística constitui-se, assim, em um instrumento de luta — não para derrubar muros ou violentar pessoas, mas para nos transformar via nossas mentes e nossos corações. É nesse respiro que o centro de memória se expande: para além da documentação, ele se transforma em espaço de invenção contínua, de curadoria como gesto político e poético, de imagens e símbolos que se entrelaçam com a inovação, a experimentação e a fluidez.
14h — 15h30
Espaço de conversa 7

Mirtes Marins de Oliveira
Valdir Borges da Silva Jr. - JAMAL
Mediação: Rafa Cavalheri


15h40 — 17h10
Espaço de conversa 8

Kleber Pagu
Luana Kayodê
Mediação: Layne Gabriele


17h10 — 17h20
Encerramento

CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO DE PESQUISA, RELATOS, HISTÓRIAS E EXPRESSÕES ARTÍSTICAS

No contexto do Seminário Ensaios para o Centro de Memória MAIS: artistas LGBTQIAPN+ no interior de São Paulo, convidamos pessoas artistas, pessoas dos diferentes saberes e interesses (científicos, artísticos, populares) a submeterem trabalhos autorais para compor uma seção especial de divulgações e publicações em nosso site e redes sociais.

Desejamos reunir e divulgar ensaios, artigos, relatos de experiência, registros, pinturas, desenhos, obras visuais, vídeos e trechos de apresentações de dança, teatro e outros formatos híbridos, que dialoguem com os eixos curatoriais do seminário:

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1.
RESGATE/REPARAÇÃO
2.
IDENTIDADE
3.
PROVOCAÇÃO
4.
PLASTICIDADE
Nosso desejo é ampliar os ecos dessa floresta simbólica que é o MAIS, juntando-nos à luta pela visibilidade de narrativas, estéticas e existências historicamente silenciadas.As pessoas artistas interessadas podem submeter trabalhos de diferentes formatos, linguagens e experimentações, que contribuam para a construção de um acervo colaborativo, sensível e insurgente.As submissões serão analisadas por um comitê de avaliação que verificará a adequação dos trabalhos às propostas dos eixos  temáticos do seminário.

Inscrições

Chamada para publicação de trabalhos autorais
Está aberta a chamada para envio de trabalhos autorais que dialoguem com os eixos temáticos do Seminário Ensaios para o Centro de Memória MAIS.
Prazo de envio
Até 30 de agosto de 2025


Envio pelo e-mail


No campo “Assunto” da mensagem, escrever o eixo correspondente à inscrição do teu trabalho.
ATENÇÃO: Não serão aceitos trabalhos após essa data.
Ouvintes
As inscrições para o Seminário Ensaios para o Centro de Memória MAIS estão abertas até 17 de outubro de 2025, pelo Sympla. Você receberá por e-mail, no dia 22 de outubro, o link de acesso para acompanhar o seminário ao vivo.

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Certificados
Para receber certificado de participação é necessário realizar a inscrição e estar presente em pelo menos 75% das atividades. As listas de presença serão disponibilizadas durante os encontros.